quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O Padre apaixonado

Nos últimos dias nós, os padres, temos sido "metralhados" com o caso do Padre Rui Saraiva. O Padre de 26 anos que fugiu com uma jovem de 18 anos. Tenho sido abordado constantemente com este caso que alimentou e alimenta jornais e programas de televisão. O que mais me impressiona é que tudo o que se passa com padres ser a guloseima mais apetecida pelos meios de comuniação social. Adoram estas coisas. O que mais me intriga é a mesquinhez e o que fica por dizer. É que o caso do Padre Rui merece uma profunda reflexão e é preciso alargar o zoom da nossa óptica. Não podemos ficar pelo julgamento e pelas opiniões pessoais. Uns criticam outros fazem dele um herói ou uma história de amor à medida de uma romance. Não vou cometer aqui o mesmo erro de tanta gente que apenas comenta e não reflecte. Comentários não faço. O Padre Rui, a Fátima e as suas famílias merecem o meu respeito. Apenas toco neste assunto para que todos possamos fazer uma reflexão mais profunda acerca daquilo que é importante.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Partilhado por um colega sacerdote a propósito das vocações sacerdotais

Não vou falar do que penso. Vou só constatar a realidade. Tal como a constata o meu olhar. Digam que é apenas um olhar, que eu respeito. Mas é um olhar que existe.O número de paróquias não diminui. Só diminui o número de pessoas em cada paróquia. Por outro lado, o número de sacerdotes diminui substancialmente. Logo, aumenta o número de paróquias e de serviços por sacerdote.Geram-se novas angústias nos sacerdotes. Cansados. Esgotados em correrias, em faltas de compreensão, em multiplicar de exigências da parte das pessoas. Estigma do funcionário/profissão. Celibato. Falta de tempo para a oração. Para si próprio. O problema acresce porque alguns não aguentam e desistem. Lembro o mais recente colega que já não está ano activo. Estou a pensar noutro que já teve o casamento civil marcado. O problema agrava-se porque diminui o número de sacerdotes e a regressão aumenta. Muda o número de participantes nas eucaristias. As pessoas emigram de diversas formas. Os paroquianos diminuem. Um problema de natalidade, sobretudo. Missas com menos gente. Há-as com 30, 40 pessoas. Não podiam juntar-se?!Muda muita coisa. Fora e dentro da igreja. Novos confrontos. Novas necessidades. Um evangelho a actualizar. Mas as atitudes dos cristãos continuam as mesmas de há vinte ou dez anos atrás, quando tinham o pároco na paróquia, sem grandes serviços, disponível para ouvir, para presidir a todas as celebrações, litúrgicas ou não, com tempo para inventar festas e procissões, para confessar, para conviver com as pessoas, embora se calhar hoje os padres convivam mais com as pessoas, digo eu. Recorrem ao padre quando precisam, e exigem-lhe, porque se entregou gratuitamente em favor do reino, que esteja na gaveta ao dispor. Abre-se e fecha-se a gaveta consoante as necessidades. Ate aceito. É para as necessidades que ele tem sentido. Mas, se têm celebração da Palavra é porque não deviam ter. Se a procissão foi mais curta o padre faz-nos perder a fé. Se o casamento não é assim ou assado, este padre não presta. Se vai exigir-se uma catequese organizada, coerente e séria, são exigências, e desistimos. Se faz algo formativo, não é para mim, pois também não tenho tempo. Se não faz, não se dedica às pessoas. Não quer saber. Se é obrigado a acabar com alguma coisa, não quer trabalho. Se não possui tempo, não quer saber de nós. Se come com este, tem preferidos. Se não come em casa de ninguém, não é sociável. As atitudes são as mesmas de há vinte anos. E depois a Igreja não evolui.Sabem de um coisa? De vez em quando, ocorre-me a tentação de desejar ter nascido uns vinte anos antes.
Primeiro pára, senta-te e pensa o que pretendes de bem. Depois, pondera, não as hipóteses teóricas, mas as possibilidades reais. Então, entre duas realidades, podes escolher a melhor. Discernir não é descobrir a única hipótese boa, é decidir, entre coisas boas, qual é a melhor, a mais construtiva para si e para os outros. Se é fácil ou difícil, isso não conta.

Kierkegaard

" Aquilo que leva ao começo é o espanto.
Aquilo pelo qual se começa é uma decisão."

Futuros Bispos

Provavelmente esta postagem vai ser polémica e vai haver quem não goste. Mas acho isto interessantíssimo e resolvi partilhar os sintomas daqueles padres que aspiram, descaradamente, ao episcopado.

Sintomas mais comuns:
  • Trabalham muito a imagem em ambientes eclesiásticos;

  • Oferecem-se para qualquer cargo na diocese, desde que este possa acrescentar mérito e dê visibilidade exterior;

  • São "politicamente correctos";

  • Normalmente evitam opinar sobre os temas fracturantes da Igreja e da sociedade;

  • Preferem falar sobre temas "fechados" da doutrina católica;

  • São alérgicos às questões da doutrina social da Igreja. Preferem temas de moral sexual, sempre na linha rigorista do Magistério;

  • "Profetismo" não é uma palavra que faça parte do seu vocabulário;

  • São, necessariamente, conservadores.

Normalmente, e salvo raras excepções, é assim que "nasce" um novo bispo.

Reunião do Clero

Hoje tive uma daquelas reuniões, sabem daquelas que ficam bem ter na agenda mas que nada nos dizem... Nós padres também temos dessas coisas. Recebemos convites para participar nisto ou naquilo. Afinal a reunião não foi mais do que um encontro. É bom encontrar rostos que não vemos há tanto tempo, faz bem partilharmos a amizade e "criar laços" mas o essencial, sim o essencial da questão passou ao lado. Foi a reunião mensal do Clero do Arciprestado. Fico sempre com aquela sensação que em vez de reunidos, devíamos estar mais vezes unidos. E isto passa para a vida das Comunidades. Há tanta reunião e, muitas vezes, pouca união. Mas elas são precisas… mas a união também.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Comunhão na mão

Nos últimos tempos muitos sacerdotes têm convidado os fiéis a comungarem na mão. Eu assim o fiz. Confesso que a Gripe A não foi o único motivo que me levou a tal, mas ajudou. Penso que é a melhor forma dos fiéis comungarem. Nas Comunidades que sirvo maior parte das pessoas comungam na mão e quero deixar aqui uma palavra de gratidão pela compreensão, mas também partilhar um dos pontos da nota pastoral do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa: Lumen, 1975, na página 460:
Quanto à comunhão na mão, pastores e fiéis devem preocupar-se em realizar o gesto de maneira digna e significativa. Para tanto, e segundo a antiga tradição, o ministro colocará o Pão consagrado na mão do fiel, o qual comungará antes de regressar ao seu lugar, por não parecer conveniente que o faça enquanto caminha, devendo ter ainda todo o cuidado com os fragmentos que eventualmente se desprendam.