
Mas também me irrita o olhar dos outros quando me emociono. Hoje aconteceu. Fiquei com os olhos vidrados num baptizado, porque baptizava a filha de uns pais que tinham perdido outra menina (funeral ao qual eu presidi). Lembrei-me do funeral e no sofrimento daqueles pais misturada com a alegria que estavam a sentir naquele momento do Baptizado. Olhei para a mãe, de olhos vidrados, e os meus copiaram-nos. E pronto... que hei-de fazer? Sou assim! E não posso? Há gente que tema mania de me dizer que não posso ser tão sentimental ou sensível.
Se choro num funeral (ainda aconteceu domingo passado quando nos despedíamos do António, de 48 anos) - "porque chorou?, Não pode ser tão sensível?"
Se vejo um cão abandonado e me apetece chorar - "Não pode ser assim?!"
Se me emociono num casamento de alguém ao ver a alegria deles e a emoção deles - "Não pode ser tão sentimental!"
Digam-me uma coisa: Não posso porquê? Há alguma lei que proíba um homem de chorar? Ou alguma que diga que os Padres não exteriorizar emoções? É assim tão estranho eu reagir de forma sentimental à partilha de sentimentos?
Por favor, não me digam mais isso. Não quero mudar isso. Choro e rio-me as vezes que eu quiser. Podem-me colocar regras, podem-me indicar o que devo ou não fazer. O quando me são impostas por quem manda procuro cumpri-las. Mas nos meus sentimentos, nas minhas emoções e na forma como as exteriorizo ninguém manda. Nem eu. Quem manda é o coração.